segunda-feira, 28 de maio de 2018

bravura

"Ela morria de medo de trovão.
Mas se aventurou a sair na chuva, só pra salvar uma flor..."

segunda-feira, 21 de maio de 2018

warning

This "what if" game should never be played when looking at the past.

quinta-feira, 10 de maio de 2018

identidade

hoje a chuva com trovoada me fez sentir muita saudade de casa.
me joguei no sofá e fiquei ouvindo músicas na minha língua, só pra me lembrar de quem sou e aonde pertenço.
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sexta-feira, 16 de março de 2018

de tudo um pouco


Das noites quentes de verão, quando caminhávamos pela avenida barulhenta, desviando de pessoas que também não tinham nada melhor para fazer, e falávamos sobre tudo e nada. Discutíamos a vida, a complexidade do mundo, e a banalidade que é o viver de aparências.
De todas as vezes em que estivemos na Pitoresca, inclusive aquela vez em que fiquei bêbada de chopp de vinho e eu chorava minha dor. Ou quando apenas ríamos e estávamos lá um pelo outro, no melhor modo de se viver o “um por todos e todos por um”.
Dos momentos que passamos pensando em letras e melodias, ou simplesmente cantando.
Da comida, e do cheiro de comida fresca.
Do cheiro de café pela manhã que inundava a casa toda.
Do barulho do saco de pão.
Do barulho no portão...
Do miado do Sofy.
Da voz dela ao entoar hinos ao nosso Deus.
Da voz dele contando histórias e nos fazendo rir.
Daquele sentimento de que nada podia dar errado, só porque estávamos juntos.
Das brigas por coisas idiotas.
Das filas no cinema...
Do cheiro de pão saindo do forno.
De olhar fotos antigas.
De sentar em frente à árvore de Natal em silêncio, até tarde da noite, apenas ouvindo as mesmas velhas canções.
De esperar pelo Natal.
De ansiar pela estrada.
Da esperança no futuro.
De compartilhar os mesmos medos.
Do sentimento de que o medo ficava menor só por estarmos juntos.
De chegar em casa depois do trabalho num dia frio e sempre dizer: “você não faz ideia do frio que está lá fora”.
De receber uma mensagem que dizia: “vem aqui”.
Dos convites que sempre começavam com “vamos comigo...?”
De chegar em casa trazendo algo gostoso pra comer.
Ou de chegar em casa e ter algo gostoso pra comer.
De comemorarmos juntos uma conquista, por menor que fosse.
Do décimo terceiro salário...
De comer pastel.
De entregar presente...
De orar de mãos dadas.
De entrar sem bater na porta.
De feriado prolongado, mesmo ficando em casa sem fazer nada.
De jogar a chave por debaixo da porta.
De esconder a chave na janela ou na máquina de lavar.
De ficar horas na cabeleireira com ela.
De tomar café da tarde junto.
De brigar pra ver quem vai pedir a pizza.
De andar no shopping num domingo chato.
De andar no Carrefour só porque não tinha nada melhor pra fazer.
Enfim, de uma vida que já não é mais minha, de momentos que jamais se repetirão, de espaços que já não ocupo, de vozes que já não escuto, de mãos que já não me aquecem, de abraços que já não acontecem, de datas que já não me importam, de planos que nunca aconteceram, de risadas que não tenho mais, das melodias que ficaram pra trás, de tudo isso e de muito mais, eu sinto tanta saudade.
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terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

meritocracia na Dinamarca

Reparei uma coisa, só agora. Só nesse exato momento, pra ser mais precisa, que eu percebi isso. Aqui na Dinamarca não se fala em "meritocracia".


E por que será né?


Um país onde universidade além de ser de GRAÇA, ainda o governo oferece um salário (ajuda de custo, vamos dizer assim) para TODOS os estudantes. A coisa agora tá mudando, porque muita gente tava se aproveitando e vindo de tudo que é país da Europa pra estudar aqui de graça e ter esse dinheiro. Sem contar outras coisas...


Mas enfim, voltando à meritocracia, não se fala.


Faculdade gratuita, e menos de 10% da população tem nível universitário. (de acordo com esse site aqui: Danmarks Statistik


E muitos, MUITOS jovens não querem fazer faculdade de qualquer jeito. Eles não vêem a hora de terminar o "gymnasium" (algo tipo o ensino médio só que diferente) para irem ao mercado de trabalho encarar a vida.


Claro, é preciso dizer que aqui existem várias opções, não somente a faculdade. Praticamente todo canto que você vai trabalhar, será exigido o diploma (certificado) de um curso. E esses cursos tem a duração média de 3 anos e meio. Tipo, o mecânico faz um curso de mecânica, que envolve teoria de alguns meses e prática de alguns anos, para ter o certificado de mecânico. E só assim ele será contratado como mecânico pra trabalhar em uma oficina e tal. Ou seja, não é nível universitário mas seria o equivalente aos nossos cursos técnicos no Brasil.


E o povo vive bem aqui. Vive tão bem que eu fico com dó do meu povo brasileiro. Só agora, morando aqui, eu vejo como o povo brasileiro sofre, é maltratado e nem se dá conta disso muitas vezes, como eu não me dava.


Aqui "status" se mede não pelo valor das coisas, não pelas viagens, não pelas roupas que se veste. Status se mede pelo trabalho que se tem.

E nem sempre um emprego que dá status dá dinheiro também. Por exemplo, ser professor é uma coisa dá um certo status, mas não dá tanto dinheiro assim.


O que pode soar como uma discrepância, mas é isso mesmo.


A tal ponto que, na "sprogskole" (escola de idiomas), teve um dia que eu fiquei p... da vida porque uma professora veio como uma atividade pra gente fazer tão ridícula, tão babaca, que eu não pude acreditar.


Era uma folha com mais de 50 tipos de profissão, desde "porteiro da discoteca" até "cirurgião".

E a atividade consistia no fato de termos de escolher as 3 profissões que mais davam "status" e as que menos davam status. Engraçado que eu, na minha ignorância e preconceito, já fui logo marcando "escort pige" (no bom e velho português, prostituta) como sendo uma profissão que não dá status.
Mas aqui na Dinamarca o povo não tem esse preconceito. Inclusive é bem comum. O povo brinca aqui dizendo que "desde que você pague os impostos, você pode fazer o que quiser".


E por falar em impostos, são altíssimos aqui. Mas o cirurgião, o advogado, o dentista (que por sinal é uma profissão que aqui além de status dá muito dinheiro), vão ao mesmo médico que o motorista do caminhão do lixo e a "escort pige" vão.


Aqui o trabalhador tem direito à greve, e não é chamado de vagabundo preguiçoso. Eles entendem que é assim que direitos trabalhistas são adquiridos.


O povo trabalha 37 horas por semana (e a diferença salarial de uma pessoa que trabalha na limpeza, para uma pessoa que leciona línguas, por exemplo, não é tanta não. Algumas profissões dão muito dinheiro, como por exemplo farmacêutico, advogado, dentista, engenheiro, médico. Essas, óbvio, são também as consideradas de alto status); tem 5 semanas de férias, são pagos pelas horas extra, mulheres podem tirar até 1 ano de licença maternidade (e os homens 2 semanas), e ainda assim o povo faz greve.


Empresas não podem sair fazendo o que bem entende na jornada de trabalho, porque o sindicato cai matando em cima, e cai mesmo. Tudo tem que ser negociado com o sindicato, não existe essa de "empregado negociar direto com o empregador".




O povo trabalha bastante, é verdade. Aqui também tá um pega pra capar pra mudar as leis previdenciárias, porque homens se aposentam com idade mínima de 65 anos também, e estão brigando pra esticar isso. Mas o povo brigando de volta, porque uma pessoa que trabalha em construção, como pedreiro(a) por exemplo, não aguenta trabalhar muito mais do que 65 anos, se comparado a um advogado. E só sendo muito burro pra não entender os motivos aqui.


Não sei muito, mas ouvi dizer que muitos países europeus seguem essa linha aí de direitos trabalhistas. E não canso de rir das piadas do povo que fala dos "coxinhas", vamos chamar assim pra facilitar, porque se eu for explicar, esse texto não acaba mais... Enfim, piadas que fazem com os coxinhas que saem do Brasil pra ir tentar a vida na Europa, e chegando aqui tem que engolir todo o monte de merda que falam sobre grevistas, meritocracia, e por aí vai, pra se submeter - muitas vezes - a um regime de governo semelhante - se não igual - ao que eles tanto abominam no Brasil.


Vi uma tirinha falando sobre meritocracia outro dia no Facebook. Daí mostrava um padeiro acordando cedão, e dizia que "se esforço e trabalho duro decidissem a vida, o padeiro seria rico", algo assim. E alguém comentou: "Não adianta acordar cedo e se acomodar com a situação".


Gente, será que é tão difícil assim ver que o padeiro merece uma vida digna, tanto quanto o advogado?


Por que será que o povo é tão burro? Tão cego? Tão alienado?


Então só tem direito à dignidade aquele que tem uma profissão de alto calibre? Uma profissão que "dá status"?


Ah, e apesar de uma profissão como "porteiro da discoteca" não dar status por aqui, ela dá direito a uma vida digna, se esse cara trabalhar 37 horas por semana. Provavelmente não é possível trabalhar em uma só boate, uma vez que a boate abre poucos dias na semana, e ele provavelmente trabalha poucas horas por noite, mas esse cara deve ter um outro trabalho durante o dia. O que eles chamam aqui de "part time job". Ele deve ter 2 desses, enfim.


E a meritocracia?


Aqui não precisa nem falar disso, porque basta ter um emprego ("full time job" = 37 horas por semana) pra ter uma vida digna. Nem que seja na limpeza.

sábado, 23 de dezembro de 2017

então é Natal...

Nos últimos dias eu disse para diferentes pessoas “entrega pra Deus” e “deixa nas mãos de Deus”, pelo menos umas dez vezes.
Teve ate um dia em que eu disse em sequência, três vezes, para duas pessoas, como se fosse um roteiro que decorei pra responder as pessoas que desabafavam suas lutas diárias.Quando parei pra pensar nisso, fiquei me sentindo uma hipócrita, daquelas que só sabem usar frases clichês desprovidas de significado, para as pessoas em seus momentos tão apertados. Nos últimos dias eu disse para diferentes pessoas “entrega pra Deus” e “deixa nas mãos de Deus”, pelo menos umas dez vezes.

Teve ate um dia em que eu disse em sequência, três vezes, para duas pessoas, como se fosse um roteiro que decorei pra responder as pessoas que desabafavam suas lutas diárias.
“Deixa nas mãos de Deus...”, repeti para mim mesma em alta voz, como que notando um certo sarcasmo nas palavras. “Pelo visto tem um monte de coisas nas mãos de Deus ultimamente”, finalizei.
Quando me ouvi dizendo a última frase “tem um monte de coisas nas mãos de Deus”, me bateu um aperto no peito, um arrependimento e uma vergonha tão grandes que eu mal pude conter as lágrimas.
E um pensamento me encheu a mente: “as mãos de Deus é o melhor lugar para tudo estar”.
Então no fim, não é um clichê, por mais que soe como um. Não é mentira, não é sarcasmo, não é um escape para que a pessoa cale a boca de um assunto que eu não sei como ajudar. Não, nada disso. É uma verdade, e ponto.
As mãos de Deus é o melhor lugar para tudo estar, inclusive você e eu.
Entregar algo para Deus cuidar é admitir que somos nada além de pó, e que dependemos de Deus para tudo. É admitir nossa pequenez, e dar ao Senhor o controle da situação, porque nós mesmos não temos capacidade de resolver. É mostrar a Deus que confiamos nele. Entregar algo para Deus é mostrar ao Senhor que precisamos dele para administrar a nossa vida, mas acima de tudo, que aceitamos sua vontade. Porque ao deixar Deus cuidar de algo, Ele vai resolver a situação do jeito dele. E uma coisa que aprendi com os anos é que o jeito de Deus é perfeito.
Todas as vezes que tentei resolver algo sozinha, eu fiz merda. E daí, corro com o rabo entre as pernas pedindo ao Senhor que – só ali quando a situação está toda cagada – limpe e cuide pra mim. E o mais incrível é que Ele nunca disse não, apesar das inúmeras bagunças que eu entreguei pra Ele.
Daí então ele limpou, consertou, modificou à sua maneira, fez o que mais lhe aprazia. E o resultado nem preciso dizer que foi maravilhoso.
Algumas vezes, por ser uma peça que se encaixava em uma situação maior, eu não entendi o que o Senhor fez até que a peça fosse de fato encaixada no todo. E até lá, muitas vezes, por não entender, fiquei chateada, resmunguei, e até questionei o trabalhar do Senhor.
Mas quando chegou o tempo de finalmente tudo se encaixar, mais uma vez envergonhada, com o rabo entre as pernas, mas com o coração jubilante de alegria e gratidão, eu glorifiquei ao Senhor.
Então eu desejo que você tenha a coragem de, em 2018, entregar sim tudo nas mãos de Deus, porque Ele é maravilhoso e sabe como cuidar da sua vida. 
Feliz Natal!